Editorial

Apresentamos mais um número da REVEJ@, dando continuidade à linha editorial assumida desde a primeira edição e trazendo algumas novidades. A primeira delas está na capa. Depois de dois números inspirados em formas e cores com predominância do vermelho, introduzimos, por meio de outras lentes, um olhar sobre detalhes, ou mesmo, fragmentos da realidade sob novo ângulo e outras cores.

Esse número marca o acompanhamento dos encontros de EJA preparatórios para a realização da VI Conferência Internacional de Educação de Adultos (CONFINTEA), que acontecerá no Brasil em maio de 2009, na cidade de Belém do Pará. Durante o último mês de março, 25 Estados e o Distrito Federal realizaram encontros estaduais analisando um documento - Documento Base - elaborado por uma equipe de consultores selecionada pelo Ministério da Educação-SECAD. Apenas o Estado de Pernambuco transferiu seu encontro para abril devido à morte do professor João Francisco de Souza, da UFPE, a quem prestamos uma homenagem pela significativa contribuição dada à educação popular e a EJA no Brasil.

Dando continuidade a esse movimento de preparação, no mês de abril foram realizados cinco encontros regionais pelo Brasil – o do nordeste em Salvador, o do sudeste em Belo Horizonte, o do centro-oeste e Distrito Federal em Cuiabá, o do sul em Florianópolis e o do norte em Manaus – onde foram acolhidas novas contribuições ao documento e, assim, produzidas versões regionais que serão discutidas no encontro nacional, em Brasília, durante os dias 28, 29 e 30 de maio. A REVEJ@ apresenta a versão original do Documento Base, fonte para os encontros estaduais e traz, ainda, um artigo situando a Conferência da UNESCO nacional e internacionalmente, escrito por Leôncio Soares e Fernanda Rodrigues Silva, com o objetivo de contextualizar o leitor sobre a importância desse evento.

O artigo de Elionaldo Fernandes Julião aborda as ações educativas para jovens e adultos privados de liberdade considerando as questões políticas, econômicas, sociais e jurídicas que perpassam a educação em sistemas penitenciários, bem como o papel dos Ministérios da Educação e da Justiça e das Secretarias Estaduais de Educação e de Justiça (e ou de Segurança Pública e Administração Penitenciária) na implementação de programas que considerem a educação no âmbito do direito humano e ao longo da vida.

Roberto Rafael Dias da Silva e Benedito G. Eugenio compartilham reflexões sobre o currículo na prática cotidiana da EJA ao examinar algumas das dinâmicas curriculares presentes nos discursos acerca da Educação de Jovens e Adultos, desde os Estudos Culturais Contemporâneos e a relação de docentes e discentes com o conhecimento expresso e corporificado no currículo, respectivamente.

Itinerários de Educadores: contribuições da educação popular à EJA é o título que Maria Clarisse Vieira escolheu para tratar da nova configuração dessa modalidade de ensino, estabelecendo um diálogo entre o legado da educação popular e sua contribuição para as novas formulações no campo da educação de jovens e adultos; a formação continuada de professores.

Ioneli da Silva Bessa Ferreira busca conhecer que saberes de letramento apresentam os professores da Educação de Jovens e Adultos e como desenvolvem práticas letradas, ao mesmo tempo em que averigua as competências e habilidades de que esses professores são portadores.

Essa edição apresenta, também, a resenha, realizada por Cláudio Borges da Silva, do livro Preconceito contra o analfabeto de Ana Maria Galvão e Maria Clara Di Pierro, no qual as autoras visitam os usos históricos do termo “analfabeto” e sua construção social, para logo refletirem sobre a contribuição do debate teórico na superação dos estigmas contra os sujeitos não alfabetizados.

O filme em destaque desse número, na seção REVEJ@ o Filme, é Pro Dia Nascer Feliz, do diretor João Jardim e os comentários são de Carmem Lúcia Eiterer e Fernanda Campos de Miranda. Trata-se de um rico e profundo documentário sobre as relações entre a juventude e a escola que, desde seu lançamento para o público, em 2007, vem sendo exibido e debatido por jovens, pesquisadores, estudiosos da área e interessados em geral.

As contribuições reunidas nesta edição apresentam alguns dos impasses que, ainda hoje, perpassam o campo da Educação de Jovens e Adultos. Esperamos que eles possam ser conhecidos e apropriados pelos leitores dos muitos lugares onde a REVEJ@ tem chegado e, ao mesmo tempo, que provoquem e entusiasmem novas colaborações.

Até o próximo número!

 Equipe Editorial