Editorial
Em agosto de 2007 iniciávamos a edição de uma revista de Educação de Jovens e Adultos. Fundamentávamos nossas expectativas no crescente enfoque que esta modalidade de educação vem ganhando. Passadas três edições, a crescente busca pela REVEJ@ está superando as pretensões iniciais. Portanto, o presente número de aniversário, comemorado em meio às reuniões preparatórias à VI CONFINTEA, apresenta mais um conjunto teórico-prático de contribuições para o campo da Educação de Jovens e Adultos.
José Rivero, em seu artigo Leitura crítica e propositiva sobre a alfabetização na América Latina, traduzido por Fernanda Rodrigues Silva, analisa sob vários aspectos o porquê das inúmeras iniciativas de programas e campanhas de alfabetização desenvolvidas na América Latina não lograrem êxito maior do que as expectativas que geram e aponta alguns caminhos para que os erros com a implantação da alfabetização possam ser evitados.
Moacir Gadotti dedica, em Do MOVA-São Paulo ao MOVA-Brasil: uma trajetória de luta e de esperança, uma análise do MOVA, partindo do trabalho realizado em São Paulo para atingir os diferentes pontos de atuação do Movimento no Brasil.
Por sua vez, Afonso Celso Scocuglia, no artigo Paulo Freire e a “conscientização”: entre a modernidade e a pós-modernidade progressista, destaca o conceito de “conscientização” presente na obra e nas práticas em torno da educação de jovens e adultos pensados por Paulo Freire, atentando para o desgaste e equívocos do termo quando usado de forma mecânica. O autor apresenta as quatro formulações que Freire constrói envolvendo tal idéia. A partir daí, sugere que a palavra “conscientização” seja compreendida no âmbito do pensamento político-pedagógico de Freire e propõe a análise de suas formulações a partir da transição entre a modernidade e a pós-modernidade.
Em Educação de adultos: formação x pragmatismo, Luiz Percival Leme Britto apresenta um ensaio contemplando algumas considerações sobre a Educação de Adultos na sociedade contemporânea. Britto faz uma análise de que a educação contextualizada produziu um modelo de ensino voltado para o ajustamento do ensino à ordem pragmática e, ao mesmo tempo, sustenta que a razão de ser da educação escolar está no desenvolvimento de conhecimentos e procedimentos que contribuam para a superação das formas de saber do senso comum.
Telma Ferraz Leal, em A escrita de textos em turmas de Educação de Jovens e Adultos: reflexões sobre práticas escolares, apresenta elementos sobre os aspectos relativos à produção textual de jovens e adultos com foco nas condições de elaboração e nas especificidades desse grupo, na medida em que vivenciam experiências em diferentes esferas sociais, nas quais o uso da escrita faz-se necessário.
O artigo de Laura Souza Fonseca, EJA: lutas e conquistas! A luta continua: formação de professoras em EJA, busca, nos caminhos da história, elementos que apontam para as disputas atuais no campo da EJA, com vistas a relacioná-las com as especificidades na formação de professor(as) e educador(as).
Maria Cecília Mollica e Marisa Leal tratam da relação entre a matemática e o português na alfabetização de jovens e adultos. As autoras advogam que as atividades com alfabetizandos jovens e adultos precisam ser incorporadas a uma ação educativa interdisciplinar, levando em conta a riqueza de conhecimentos lógico-matemáticos e de linguagem com a qual os alunos chegam à sala de aula.
Neste número de aniversário, a REVEJ@ apresenta, também, duas novas seções. A primeira delas, que não tem caráter permanente, é a parte Documentos. Segundo o Professor Osmar Fávero, “o Brasil é um país de pouca memória: eventos históricos não são registrados, documentos importantes são perdidos, etc.” Procurando superar essas lacunas, a REVEJ@ abre esse novo segmento, no qual serão divulgados textos fundamentais, pouco acessíveis porque não publicados ou constantes de livros e periódicos fora de circulação. E, contando com a ajuda de Fávero, essa seção traz, nesta edição, o texto de Carlos Rodrigues Brandão Da educação fundamental ao fundamental da educação, publicado em 1980. Trata-se de um artigo conhecido, mas que se renova na urgência de se pensar a educação em sua forma mais “fundamental”.
A segunda seção, Olhar do Educador, tem por objetivo apresentar experiências de educadores no seu cotidiano e, nesta edição, traz duas delas. Uma, das autoras Luciana Santana, Núbia Vergettie e Sandra Jardim, intitulada A formação de professores no Programa de Educação de Jovens e Adultos – PEJA, mostra a formação continuada de professores da SME/RJ. Seu objetivo é relacionar a prática cotidiana dos professores de Matemática da SME/RJ, do Programa de Educação de Jovens e Adultos – PEJA - com os pilares que alicerçam a etnomatemática, a qual, segundo as autoras, oferece um caminho para a construção do conhecimento matemático na Educação de Jovens e Adultos. Outra, de Luciana Balbino de Souza, Em busca de um sonho, relata a sua experiência como educadora, no interior da Paraíba, atuando no Projeto Saberes da Terra.
Por fim, a seção REVEJ@ o Filme, desta vez, traz um texto de duas educadoras (Maria Edite Martins Rodrigues e Moema Maria Silveira e Silva) que acompanharam a exibição do filme Filhas do Vento, de Joel Zito Araújo, para educadores e educandos integrantes do Projeto EJA-BH, da Prefeitura de Belo Horizonte, e elas teceram algumas impressões sobre esta atividade.
Desejamos a todos e todas que tirem bom proveito desse conjunto de textos e que as contribuições lhes sejam úteis.
Boa leitura!
Equipe Editorial


