Editorial

Os diferentes espaços em movimento e seus sujeitos dão continuidade à construção da EJA no país. Quando um desses espaços é transferido, a Educação de Jovens e Adultos fica em suspense, como foi o caso do adiamento da VI CONFINTEA. Lembrar a Conferência significa continuar acalentando a expectativa de realizá-la no Brasil não só pela expectativa que gera em torno da EJA, como também, pela possibilidade de selar compromissos governamentais, acadêmicos e civis com a efetivação dessa modalidade sob o paradigma da educação ao longo da vida com qualidade. Significa também, acompanhar o Fórum Internacional da Sociedade Civil (FISC) que colocará na cena de Belém do Pará centenas de representantes governamentais e civis, do Brasil, da América Latina e Caribe, para avaliar o panorama mundial da Educação de Jovens e Adultos e propor ações. As culturas e as simbologias múltiplas expressas nessa região, tão peculiares na EJA, encontrarão abrigo neste evento.

Com este número da REVEJ@ buscamos reunir um conjunto de abordagens pouco discutidas no campo da EJA como as artes. A linguagem artística vem ganhando projeção na EJA e, nesta edição, trazemos o teatro, o museu, a música e as imagens.

Pensar os museus como espaço de aprendizagem e de memória da história e da vida é parte dos estudos de Luz Maceira Ochoa, do México. Neste trabalho a autora explora os sentidos dos museus e as contribuições para a aprendizagem de pessoas jovens, adultas e idosas.

Eliane Aparecida Bacocina e Maria Rosa R. M. Camargo relatam como leituras de imagens artísticas, com educadores e educandos da EJA, promovem modos de verem a si mesmos e as experiências que vivenciam e contribuem no processo de ensino-aprendizagem.

A mediação e a interação em sala de aula são tratadas por Érico Tadeu Fraga Freitas a partir de sua experiência de atuação como professor de física no Ensino Médio. O estudo sobre a lei da inércia e da relatividade do movimento foi tema das interações estabelecidas em sala de aula que permitiu apreender a maneira como os alunos respondem à ação mediadora ao mesmo tempo em que constroem conceitos.

Camila do Carmo Said busca compreender os significados atribuídos pelas jovens mulheres que adotam os espaços da cultura hip-hop como um estilo de vida e as possíveis implicações dessa participação na elaboração de referenciais de gênero para essas jovens na contemporaneidade.

A resenha elaborada por Ana Lúcia E. F. Valente, da obra de Osmar Fávero Uma pedagogia da participação popular – análise da prática do MEB – Movimento de Educação de Base (1961/1966), nos leva a pensar no salto qualitativo dado pelos movimentos de educação popular dos anos sessenta em relação às campanhas e mobilizações contra o analfabetismo de jovens e adultos. São propostas qualitativamente diferentes das ações anteriores, aponta o autor.

Danieli Gertrudes Cândido Maron, Eduardo Maron Neto e Neura Maria Weber Maron abordam o espetáculo de teatro Saída apresentado no TEUNI (Teatro Experimental Universitário), situado no prédio histórico da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Os dois personagens do espetáculo Saída discutem o processo desenfreado de urbanização, o excesso de consumo, a solidão, a exigência, o sufoco, a falta de horizonte, de liberdade e de tempo, o aumento de relacionamentos virtuais, o espaço público e privado; buscam criar mecanismos para sair dessa rotina e expõem as mais divertidas saídas descobertas pelo ser humano em seu fazer-se cotidianamente.

Por fim, desejamos a tod@s que têm nos acompanhado em cada número da REVEJ@ e aos novos leitores que encontrem tópicos de interesse e, desse modo, de leitores passem a ser futuros colaboradores.

 Equipe Editorial

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